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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

ARIANNE LANÇA ÁLBUM DE CLÁSSICOS!



A cantora Arianne acabou de lançar seu novo álbum de música gospel intitulado Como Cantavam Nossos Pais Volume I, que faz uma releitura de grandes sucessos dos anos 70, 80 e 90. A produção ficou por conta de Weslei Santos que acrescentou um toque de modernidade, mas mantendo fidelidade às canções.

Em uma série de vídeos postados em seu canal no YouTube, a cantora faz um dueto com Priscilla Alcântara, Lorena Chaves, Preto no Branco, Fernanda Brum e Marcela Taís. Esse é outro fato importantíssimo que chama a atenção, pois, ao invés de convidar artistas oitentistas para esses duetos, a cantora chama artistas contemporâneos para, justamente, aproximar o público juvenil com as tradições da nossa música! O repertório foi muito bem escolhido, passando por canções, como Não Tenhas Sobre Ti (Milad), Estrela da Manhã (Banda Rara), Jesus Virá (Banda e Voz), Você Pode Ter (Vencedores por Cristo), Primeiro Amor (Rebanhão), entre outros. A cantora ousou em regravar Basta que me Toques, clássico de 1978 eternizado por Jacira,  fazendo um medley com Mãos Ensanguentadas de Jesus. Apesar de um arranjo moderno, a cantora manteve fidelidade à proposta inicial dessas canções, tornando-as bastante agradáveis à audição.



A capa do álbum é bastante sugestiva e provoca um sentimento nostálgico ao trazer a imagem rústica da capa de um LP.
Para o ano de 2019, Arianne já anunciou que fará uma mega turnê pelo Brasil, atendendo a convites em igrejas e teatros e poderá lançar o Volume II da série.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

OS 88 ANOS DE VALDOMIRO SILVA!

Hoje é o aniversário de um pioneiro da nossa música cristã, o pastor e cantor Valdomiro Silva que completa 88 anos de idade, sendo um dos mais antigos do nosso país ainda em atividade.

Não adianta tentar romper com passado em nome da modernidade, pois sempre dá errado. Por esse motivo, é uma questão de honra (e eu trato isso também como uma obrigação) reconhecer e homenagear ainda em vida cantores do tamanho do Valdomiro. Afinal, são 39 discos gravados, dezenas de países alcançados em uma época em que nossa música ainda não possuía uma boa qualidade técnica e nem havia rigor quanto ao arranjo e diversidade de instrumentos na hora da gravação. Não havia tantas rádios evangélicas, nem grandes gravadoras; não havia grandes investidores do mercado fonográfico, mas as canções do Valdomiro conseguiram chegar à milhares de coração pelo mundo afora e somente a eternidade poderá revelar os frutos de tantos anos de dedicação à música cristã.

Chegar aos 88 anos significa ter testemunhado tantas conversões, tantos milagres e tantas experiências inesquecíveis. Valdomiro, mesmo com a idade que tem, não parou! Há um erro muito comum em se pensar que quem está fora da elite gospel parou de cantar e a realidade tem provado exatamente o contrário! Pr. Valdomiro, dentro das limitações da idade, tem viajado o país inteiro cantando e pregando. No último final de semana, em Sete Lagoas/MG, foi um dia de tamanha realização para ele, pois em um só evento conseguiu rever e cantar com vários de seus colegas de ministério com quem há muito tempo não se encontrava.

Pois é, amigos. Honra a quem merece honra e reconhecimento a quem merece também. Parabéns, Pr. Valdomiro! Você tem levado muitos a se saciarem na Fonte da Água Viva!


Por Aleckson Marcos

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

JANIRES: UMA LENDA QUE SE FOI HÁ 30 ANOS




Não dá para entender por que Deus leva para si pessoas tão talentosas, abençoadoras, boas e pacíficas, enquanto nas maternidades do meio evangélico todos os dias nascem, ou melhor, surgem e crescem milhares que são o oposto disso em pelo menos um aspecto. Não digo que nascem, pois para isso teriam de passar pelo crivo de João 3.5 ou se nascem é entre os espinhos. Um dia nasceu um homem e um dia esse homem foi levado ao Seio de Abraão, deixando órfãos aqueles que nasceram de novo e tem por pai a Deus, mas olham para aquele que os levaram a Cristo e só veem agora os rastros de uma história. E que história! Janires Magalhães Manso, uma lenda que se foi há 30 anos!
Aquele grupo de aproximadamente 1000 jovens que o aguardavam para participar do “Clubão” no dia 30 de janeiro de 1988 em Belo Horizonte nunca mais esqueceriam aquele homem com a sua Bíblia velha, rabiscada, rasgada e o seu violão, que lhe foram companheiros nas horas de íntima comunhão com Deus, de onde nasceram as canções que ensinaram uma geração de jovens a adorar e ver a Deus com novas lentes. Aquela Bíblia, aquele violão agora estavam jogados ao chão e aquela voz se apagou, deixando para a posteridade um legado que abençoaria as Helenas, os Alex, os Baltazares e todos aqueles não conseguem entender por que Deus leva pessoas tão cedo.
Assim escreveu Moisés França (Grupo Hagios): “Mais que um poeta que inovou a forma de expressar a fé, mais que um líder da maior banda cristã de todos os tempos que deixou sua marca inovadora, Janires era uma pessoa, cujo foco era Jesus Cristo de fato e não de boca.” Esse testemunho aguça o raciocínio, levando-nos a conceber uma imagem de como era o Janires e a partir disso chegar a conclusão de como a sua partida deixou uma lacuna enorme na música cristã. A lacuna foi enorme no final da década de 80, pois na música sacra Edison Coelho permanecia no topo, mas o rock cristão, que a duras penas conseguia sua consolidação, perdia o seu maior poeta ou talvez um profeta - um profeta maluco, cabeludo, sem terno e gravata que não precisava adocicar o evangelho para torná-lo mais palatável. O que era lacuna nos anos 80, hoje tornou-se um abismo, um buraco negro para onde até mesmo a música sacra está sendo engolida, enquanto, ao mesmo tempo, as pessoas engolem e digerem o que não é poesia, não é arte em seu real sentido e muito menos o evangelho. Por falar na maior banda cristã de todos os tempos, o Rebanhão, às vezes as decisões de Janires não eram compreendidas de imediato. Deixar o Rebanhão, do qual era líder e fundador, cuja ascensão naquele período era algo inédito no país, e fundar uma nova banda parecia uma atitude desconexa, mas assim ele procedeu com o coração ardendo pela vocação missionária e com ele sua velha Bíblia e o violão que lhe acompanharam em eventos evangelísticos em Belo Horizonte. Talvez a fama e a consequente notoriedade que o Rebanhão estava tomando pudessem atrapalhar o zelo missionário de um homem com hábitos simples que não se importava com eventos pomposos, mas se importava com as pessoas e ia lá onde elas estavam – nas esquinas, nas praças, nas ruas.
Janires vai muito além da música, da poesia e do evangelismo. Conta Jerô (Banda Fé) que nas conversas com ele só se falava das coisas do Reino, o que nos mostra o Janires do dia a dia – um homem de fé e íntima comunhão com Deus! “Estávamos sempre ministrando, principalmente nas vigílias, antes da vigília ficar famosa, quando não existia o templo grande da igreja (...) uma das pessoas mais parecidas com Jesus que eu já vi. Sempre esteve à frente de seu tempo e até hoje é moderno”, conta Jerô ao Reviva. Trata-se da conhecida vigília de Bento Ribeiro, cuja saída de Janires resultou na liderança assumida por Marcos Góes que chegou a gravar discos ao vivo com a esse título. Esse depoimento é muito forte, pois há pessoas santas em Cristo, e não tem talento para a música. Há pessoas que o possuem, mas não têm a santidade do Senhor. Janires conseguia reunir talento e uma espiritualidade profunda que antecedia e se sobrepunha ao “artista Janires”, de modo que falava diretamente aos corações daqueles que não conseguiam captar o evangelho nos moldes tradicionais, seja por meio da música ou mediante o testemunho pessoal, junto aos viciados, mendigos e prostitutas.
 Fala-se que “Festa de Arromba no Céu” foi apenas uma maneira criativa de fazer uma versão da música de Erasmo Carlos, mas o que se depreende dessa versão, considerando o contexto de repressão ao rock pelos evangélicos, é que no céu não haverá nenhuma discriminação quanto ao estilo musical, pois lá estarão reunidos e cantando uma só canção “Edison e Tita, Sinal Verde, Ozeias de Paula e o Maurão”, cantores com os seus mais diversos estilos, cuja união era um sonho naquela época, mas que “um dia vai se cumprir no lar celestial.” Esse era o Janires visionário, por vezes essencialmente romântico em sua forma de descrever a vida, o céu e a realidade ulterior e em outras vezes claro, denotativo e sem medo de falar de seus anseios e missão como discípulo de Cristo, expondo o evangelho em sua própria vida e sendo a Bíblia ambulante por meio de quem muitos foram atraídos a Cristo.

Enquanto escrevo, ouço “Alex, o Baixinho Voador”. Os meus olhos se enchem de lágrimas ao supor que talvez nessa música Janires estava cantando para si mesmo, como se estivesse descrevendo, inconscientemente, toda a sua história em uma única canção! Aquele acidente em 1988 foi uma tragédia para nós, mas como diz a própria canção “no céu quando você chegar e abrir o Notícias Celestial pra ler vai descobrir que as derrotas aqui serão consideradas vitórias pelos anjos, que do lado do seu nome no Livro da Vida tá escrito a palavra CAMPEÃO.

65 anos seria a idade que teria se estivesse entre nós, mas aprouve a Deus recolhê-lo, deixando nossos corações com saudades e também alegres, pois as pancadas que ele levou abriu caminho para o rock cristão no Brasil. Paradoxalmente, nos entristecemos, pois ficamos a nos perguntar: quem conseguirá sair do buraco negro e quando nascerá um novo Janires na nossa música? Será que é o desejo de Deus levar primeiramente os bons, em vez de preservá-los e para conservarem todo esse legado deixado? O conselho de Janires é este: “não deixa não a tristeza fazer pole position em seu coração.”.

Em Cristo, Aleckson Marcos para o Reviva Gospel