terça-feira, 13 de março de 2018

GUILHERME NÃO PARTICIPARÁ DA TURNÊ "CATEDRAL 30 ANOS"!


Hoje à tarde, Kim gravou um vídeo emocionado em sua página no Facebook anunciando que Guilherme Morgado não participará da turnê de retorno do Catedral.

No vídeo, Kim inicia recitando a primeira estrofe de "A Tempestade e o Sol" e, em seguida, informa que no domingo ele recebeu uma ligação do próprio Guilherme avisando que, por problemas pessoais, não participaria da turnê "Catedral 30 Anos", que estreia em Fortaleza e será dedicado ao baterista. O vídeo deixou um misto de suspense, tensão e tristeza, pois não foi informado que tipo de problemas ele enfrenta.

Muito foi falado em "recuperação", como se estivessem se referindo a uma doença. Kim, ao final do vídeo, faz pausas emocionado e Guilherme, que gravou outro vídeo, aparece com o semblante pesado, triste, pedindo apoio dos fãs e falando em um futuro retorno.

Kim afirmou que a privacidade do Guilherme seria preservada e que não aceitaria em sua página nenhuma pergunta especulativa sobre a situação do Guilherme, a quem chamou de irmão.


sexta-feira, 9 de março de 2018

MATTOS NASCIMENTO LANÇA MÚSICA COM CRÍTICAS À IGREJA BRASILEIRA!



Um dos artistas com mais discos lançados e com 29 anos de carreira, Mattos Nascimento acaba de liberar em seu canal no Youtube o single “O Evangelho Está Mudado”. A música é autoral e reflete as recentes reflexões do cantor a respeito das tendências teológicas modernas que tem causado uma revolução (no sentido histórico da palavra) na igreja brasileira. No mês passado, em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Mattos teceu críticas ácidas aos tele pregadores, dizendo que eles “pregam um evangelho que dá um verdadeiro nojo (...) que só falam em campanha e milhares de pessoas que vão... mil reais, ‘de pessoas que vão mandar pra cá dois mil reais e a gente vai vender água mineral por cento e noventa reais  e galho de arruda’ e tanta coisa ruim.”
Apesar de o título da música ser bastante chamativo, somente a primeira estrofe aborda a temática apresentada. Aliás, a maior parte das suas músicas é assim, somente a primeira estrofe fala do título e o restante da canção segue com rimas simples e versos desconexos com o início da canção.
Os versos iniciais falam que

O evangelho está mudado. Não se prega a salvação
Esqueceram da doutrina e da santificação
A igreja esfriando, bate palma e não dá glória
Parecendo com o mundo e ainda quer receber vitória
O Senhor está voltando. Esse mundo está cruel
O dinheiro e a riqueza não podem entrar no céu
Procure andar na luz, busque a graça de Jesus
Seja um crente bem humilde e fiel.

A estrofe seguinte é uma mensagem evangelística, marca registrada do cantor.
Nos últimos 20 anos, duas músicas em especial tiveram bastante repercussão por fazer críticas ao neopentecostalismo: “O Evangelho”, do grupo Logos (1996) e “É Proibido Pensar”, de João Alexandre (2007).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

EM DEFESA DO CACHÊ

Qualquer um que queira compreender a lógica por trás da cobrança de cachê por parte de cantores evangélicos precisa entender o seguinte:

Todo cantor é um artista e todo artista é um profissional que, por fim, é um ser humano que tem família, contas a pagar e sonhos a realizar. Se ele é um artista, então produz arte e para isso precisa de dinheiro. Apenas essas duas considerações esclarecem por que é honesto e lícito "cobrar para cantar".

A alegação de que se o cantor vende o CD ele não pode cobrar cachê é infundada, pois qual o artista vive de vender CD's? Venda de discos já deu lucro para artistas, mesmo que não tenha sido esse dinheirão todo que comumente se pensa, pois os que mais lucravam eram os donos das gravadoras.

A alegação mais comum de que quem cobra cachê está comercializando a Palavra de Deus também é infundada, pois o que está sendo vendido é música (um produto, não se esqueça) e música NÃO É A PALAVRA DE DEUS! O máximo que pode ser são considerações acerca da Palavra, assim como são os livros, revistas de EBD, camisas e a própria Teologia.

Ora, se se paga para participar de seminários, se se paga para assistir 44 horas uma conferência teológica, por que pagar um cantor para cantar torna-se o 8º pecado capital?
Se você é daqueles que se opõe ao pedido de cachê, mas vive exigindo qualidade musical de seu artista ao estilo do Roupa Nova, por exemplo, precisa entender que seu artista, se não tiver contrato com gravadora e atuar de modo independente, precisa pagar baterista, tecladista, guitarrista, compositor, studio e etc., etc. e etc. Isso mostra que lançar um disco com a qualidade mínima não é e nunca foi baratinho.

Outras considerações devem ser feitas:
a igreja que retira o dinheiro dos dízimos para cumprir com o cachê não parece-me sensato;

a igreja que contratar um artista, tendo acordado o seu cachê, jamais deve penalizar a ajuda aos pobres e necessitados;

a igreja que não puder agendar um artista, não agende-o;


e o artista que use do bom senso para não explorar o último centavo do caixa da igreja! 

Em Cristo, Aleckson Marcos para o Reviva Gospel

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

JANIRES: UMA LENDA QUE SE FOI HÁ 30 ANOS




Não dá para entender por que Deus leva para si pessoas tão talentosas, abençoadoras, boas e pacíficas, enquanto nas maternidades do meio evangélico todos os dias nascem, ou melhor, surgem e crescem milhares que são o oposto disso em pelo menos um aspecto. Não digo que nascem, pois para isso teriam de passar pelo crivo de João 3.5 ou se nascem é entre os espinhos. Um dia nasceu um homem e um dia esse homem foi levado ao Seio de Abraão, deixando órfãos aqueles que nasceram de novo e tem por pai a Deus, mas olham para aquele que os levaram a Cristo e só veem agora os rastros de uma história. E que história! Janires Magalhães Manso, uma lenda que se foi há 30 anos!
Aquele grupo de aproximadamente 1000 jovens que o aguardavam para participar do “Clubão” no dia 30 de janeiro de 1988 em Belo Horizonte nunca mais esqueceriam aquele homem com a sua Bíblia velha, rabiscada, rasgada e o seu violão, que lhe foram companheiros nas horas de íntima comunhão com Deus, de onde nasceram as canções que ensinaram uma geração de jovens a adorar e ver a Deus com novas lentes. Aquela Bíblia, aquele violão agora estavam jogados ao chão e aquela voz se apagou, deixando para a posteridade um legado que abençoaria as Helenas, os Alex, os Baltazares e todos aqueles não conseguem entender por que Deus leva pessoas tão cedo.
Assim escreveu Moisés França (Grupo Hagios): “Mais que um poeta que inovou a forma de expressar a fé, mais que um líder da maior banda cristã de todos os tempos que deixou sua marca inovadora, Janires era uma pessoa, cujo foco era Jesus Cristo de fato e não de boca.” Esse testemunho aguça o raciocínio, levando-nos a conceber uma imagem de como era o Janires e a partir disso chegar a conclusão de como a sua partida deixou uma lacuna enorme na música cristã. A lacuna foi enorme no final da década de 80, pois na música sacra Edison Coelho permanecia no topo, mas o rock cristão, que a duras penas conseguia sua consolidação, perdia o seu maior poeta ou talvez um profeta - um profeta maluco, cabeludo, sem terno e gravata que não precisava adocicar o evangelho para torná-lo mais palatável. O que era lacuna nos anos 80, hoje tornou-se um abismo, um buraco negro para onde até mesmo a música sacra está sendo engolida, enquanto, ao mesmo tempo, as pessoas engolem e digerem o que não é poesia, não é arte em seu real sentido e muito menos o evangelho. Por falar na maior banda cristã de todos os tempos, o Rebanhão, às vezes as decisões de Janires não eram compreendidas de imediato. Deixar o Rebanhão, do qual era líder e fundador, cuja ascensão naquele período era algo inédito no país, e fundar uma nova banda parecia uma atitude desconexa, mas assim ele procedeu com o coração ardendo pela vocação missionária e com ele sua velha Bíblia e o violão que lhe acompanharam em eventos evangelísticos em Belo Horizonte. Talvez a fama e a consequente notoriedade que o Rebanhão estava tomando pudessem atrapalhar o zelo missionário de um homem com hábitos simples que não se importava com eventos pomposos, mas se importava com as pessoas e ia lá onde elas estavam – nas esquinas, nas praças, nas ruas.
Janires vai muito além da música, da poesia e do evangelismo. Conta Jerô (Banda Fé) que nas conversas com ele só se falava das coisas do Reino, o que nos mostra o Janires do dia a dia – um homem de fé e íntima comunhão com Deus! “Estávamos sempre ministrando, principalmente nas vigílias, antes da vigília ficar famosa, quando não existia o templo grande da igreja (...) uma das pessoas mais parecidas com Jesus que eu já vi. Sempre esteve à frente de seu tempo e até hoje é moderno”, conta Jerô ao Reviva. Trata-se da conhecida vigília de Bento Ribeiro, cuja saída de Janires resultou na liderança assumida por Marcos Góes que chegou a gravar discos ao vivo com a esse título. Esse depoimento é muito forte, pois há pessoas santas em Cristo, e não tem talento para a música. Há pessoas que o possuem, mas não têm a santidade do Senhor. Janires conseguia reunir talento e uma espiritualidade profunda que antecedia e se sobrepunha ao “artista Janires”, de modo que falava diretamente aos corações daqueles que não conseguiam captar o evangelho nos moldes tradicionais, seja por meio da música ou mediante o testemunho pessoal, junto aos viciados, mendigos e prostitutas.
 Fala-se que “Festa de Arromba no Céu” foi apenas uma maneira criativa de fazer uma versão da música de Erasmo Carlos, mas o que se depreende dessa versão, considerando o contexto de repressão ao rock pelos evangélicos, é que no céu não haverá nenhuma discriminação quanto ao estilo musical, pois lá estarão reunidos e cantando uma só canção “Edison e Tita, Sinal Verde, Ozeias de Paula e o Maurão”, cantores com os seus mais diversos estilos, cuja união era um sonho naquela época, mas que “um dia vai se cumprir no lar celestial.” Esse era o Janires visionário, por vezes essencialmente romântico em sua forma de descrever a vida, o céu e a realidade ulterior e em outras vezes claro, denotativo e sem medo de falar de seus anseios e missão como discípulo de Cristo, expondo o evangelho em sua própria vida e sendo a Bíblia ambulante por meio de quem muitos foram atraídos a Cristo.

Enquanto escrevo, ouço “Alex, o Baixinho Voador”. Os meus olhos se enchem de lágrimas ao supor que talvez nessa música Janires estava cantando para si mesmo, como se estivesse descrevendo, inconscientemente, toda a sua história em uma única canção! Aquele acidente em 1988 foi uma tragédia para nós, mas como diz a própria canção “no céu quando você chegar e abrir o Notícias Celestial pra ler vai descobrir que as derrotas aqui serão consideradas vitórias pelos anjos, que do lado do seu nome no Livro da Vida tá escrito a palavra CAMPEÃO”.

65 anos seria a idade que teria se estivesse entre nós, mas aprouve a Deus recolhê-lo, deixando nossos corações com saudades e também alegres, pois as pancadas que ele levou abriu caminho para o rock cristão no Brasil. Paradoxalmente, nos entristecemos, pois ficamos a nos perguntar: quem conseguirá sair do buraco negro e quando nascerá um novo Janires na nossa música? Será que é o desejo de Deus levar primeiramente os bons, em vez de preservá-los e para conservarem todo esse legado deixado? O conselho de Janires é este: “não deixa não a tristeza fazer pole position em seu coração.”.

Em Cristo, Aleckson Marcos para o Reviva Gospel

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

PARABÉNS, EDSON COELHO!



Hoje, 01 de janeiro de 2017, temos a honra de fazer as nossas sinceras homenagens e felicitações àquele que é considerado o maior compositor evangélico do século XX no Brasil – Edison Coelho! Essa data não poderia passar por nós sem o devido reconhecimento, pois ele estava por trás dos maiores sucessos da música cristã, principalmente nas décadas de 70 e 80 e como cantor conseguiu deixar boas impressões nos anos 80 e 90, quando participou da dupla Edison e Telma.
Fazer referências a Edison Coelho em seus 71 anos completos é olhar para o desenvolvimento da música cristã brasileira e ver em cada linha da história as suas marcas indeléveis, ora como um compositor que juntou à música a boa poesia e teologia com profundas reflexões filosóficas, ora como alguém liderou um dupla muitíssimo conhecida que atingiu o seu ápice em 1983 com o lançamento pela Polygram do álbum “Deus Vivo”, considerado o 62º melhor álbum da música cristã brasileira, em um levantamento feito em 2015 por jornalistas e historiadores e publicado pelo portal Super Gospel. Mesmo quem nasceu na década de 90 aprendeu a cantar a faixa-título, principalmente em igrejas pentecostais, e quem ouvia rádio nessa época ouvia muito também essa canção que ficou entre as mais tocadas por vários anos.
É também impossível fazer referências a Edison Coelho sem falar de sua parceria com Ozeias de Paula. Não foi uma simples parceria. Foi a maior parceira que já existiu na nossa música entre um compositor e um intérprete! Edison assinava discos inteiros de Ozeias de Paula e todos esses álbuns foram sucessos de vendas! A parceria durou até a primeira metade dos anos 80 que foi assumida – e com muito sucesso, diga-se de passagem- agora por Ed Wilson e Joran (assunto para um post futuro), mas retomada em 2010 com o lançamento do disco “Instrumento”, produzido por Wagner Carvalho. Foi e é ainda uma parceria que marcou uma geração ou muitas gerações de pastores, cantores, locutores e fãs das referidas obras primas e isto tem feito com que artistas da antiga e nova geração regravarem sucessos do Edison, como por exemplo, Thales Roberto que regravou o clássico “O Amor É Tudo” e Lauriete que, recentemente, gravou um disco inteiro de músicas dele.
 Nem tudo tem sido sucesso na vida de Edison, mas o apoio incondicional de sua esposa Telma, a amizade de Ozeias e a oração da igreja brasileira o tem feito vencer batalhas quase invencíveis. Em 2013, logo após gravar o seu último disco com a Telma, ele entrou em profundo estado de depressão, situação que durou mais de 2 anos, mas Deus tem sido misericordioso e hoje o Edison está bem, está compondo, cantando, tocando e já deve ter algumas canções prontas para o próximo disco de Ozeias de Paula que deve sair neste ano! Além do problema da depressão, em de 2013, Edison precisou travar uma batalha judicial contra uma gravadora e um cantor gospel que gravou algumas de suas canções sem a devida autorização.  A Telma Coelho chegou a fazer um desabafo em seu perfil pessoal no Facebook, acrescentando que a utilização indevida de obras fonográficas do Edison tem sido recorrente no mercado gospel. Somado a isso, aquele que foi um dos elos de união entre os evangélicos de todo o Brasil por causa de suas canções, agora enfrenta problemas por causa de questões denominacionais! Explico no próximo parágrafo.
Em 2014, Edison e Telma foram rebatizados e tornaram-se membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia e em outubro daquele ano tiveram uma agenda cancelada em Conchal (SP). Na página oficial da dupla, lamentou-se: “é triste que isso ainda aconteça. Mas pedimos a Deus pela vida de cada um.”. Convém, curiosamente, citar um trecho da canção “Haja o Que Houver”, gravada nos anos 70 por Ozeias de Paula, cuja letra parece prenunciar o que Edison ora enfrenta:
“Senhor, porque razão estou confuso
 fazem de mim um réu intruso.
De louvar-te querem me impedir.
Senhor, dizem que eu estagnei no tempo,
E embora neguem-me de entrar no templo
Não poderão jamais roubar-me a tua paz.”

Poderia escrever muitas coisas a respeito do Edison, mas aqui fica registrada nossa homenagem ao maior compositor cristão do século passado e, repito, este dia não poderia passar em branco. Em nome do Reviva Gospel, queremos desejar ao Edison Coelho um feliz aniversário, vida longa e que continue sendo uma benção nas nossas vidas!

domingo, 31 de dezembro de 2017

O ADEUS A OFICINA G3!



São 30 anos de uma das bandas de rock cristão de maior sucesso no Brasil que anunciou o seu “período sabático” e realizou o seu último show há uma semana, em São Paulo, reunindo todos os seus ex-integrantes em uma apresentação emocionante e nostálgica.  Como todo o final de uma carreira artística, uma pergunta soa inevitavelmente: porque o Oficina G3 parou? Será que eles voltarão aos palcos ou trata-se apenas de uma estratégia de marketing?

Antes de conjeturarmos as possíveis causas da pausa, convém dizer que o grupo nasceu a partir de conjuntos de louvor da Igreja Cristo Salva, denominados de G1, G2 e G3, sendo o Oficina terceiro deles, daí a origem do nome Oficina G3 - Oficina, por que trazia a ideia de "conserto". Juninho Afram, Luciano Manga, Valter Lopes, Túlio Régis e Wagner Garcia Maradona, inicialmente se apresentavam ao ar livre, quer seja em praças, metrô, casa de shows populares, sendo a banda mais evangelística na década de 90  A forma de evangelismo que eles faziam causou resistência nos setores mais conservadores da igreja, com destaque para o pastor Luciano Manga que no S.O.S da Vida entrou com um skate - algo impensado à época! Manga permaneceria na banda até o final daquela década, pois sentiu a necessidade de se dedicar exclusivamente ao ministério pastoral, dando vez ao PG, que ingressou após resposta de incontáveis orações. 
A breve passagem do PG (pouco  mais de 5 anos) foi importante para a banda e é considerada por alguns a sua melhor fase, posto que até se apresentaram no Rock in Rio, mas PG resolve deixar o grupo, que não recebe bem a sua saída. Afram conduz os vocais até que em uma apresentação em Brasília, Mauro Henrique pede para cantar uma música. A performance foi tão boa que ele, posteriormente, foi convidado para participar da banda, gravando histórico disco "Depois da Guerra" que rendeu à banda o Grammy Latino de 2009 e o sétimo disco de ouro! Não somente isto, a banda adquiriu tamanha notoriedade, chegando a receber a admiração de Kiko Loureiro e teve matérias publicadas em grandes veículos de comunicação do Brasil. Diante de todo esse histórico de sucessos fica difícil acreditar que o Oficina G3 vai encerrar as atividades temporariamente.

Manter um conjunto musical por 30 anos não é tão fácil como parece, pois somente os integrantes sabem o que acontece nos bastidores. Lidar com ideias divergentes, discussões acaloradas, família, vida pessoal, ministério pastoral fazem da existência de uma banda um desafio enorme a ser superado diariamente. E por falar em desafios, essa palavra é bastante familiar dos músicos do Oficina que desde o início tiveram de desmistificar o falso conceito de Raul Seixas de que o diabo é o pai do rock. Essa ideia, embora em declínio, ainda permanece nas periferias das grandes denominações evangélicas que, historicamente, hostilizaram os membros do Oficina por causa dos brincos, tatuagens, camisetas, performances nada convencionais e uma mensagem contextualizada que lhes é típica. Ainda que eles tenham formado, a duras penas, um universo de fãs que se diversificou com a saída e entrada de novos componentes, um desafio maior ainda estava por vir: a supremacia do Triunfalismo e as novas tendências do mercado fonográfico.
 Falar que “Ele vive com toda a sua glória e o seu poder” ou “não vim pedir teu favor, vim pra te oferecer minha vida, meu amor” é um insulto àqueles que cantam um evangelho adocicado, humanista e sem conexão com o Reino. Eis o desafio que nem o Oficina e talvez ninguém conseguirá vencer, fazendo com que aqueles que quiserem ousar no rock e fazerem canções à moda dos escritos de Salomão, rei de Israel, por exemplo, voltarem a viver à margem do grande mercado, como foi nos anos 70 com Janires Manso.  E não é só isso! As novas tendências do mercado fonográfico exigem cada vez mais ou uma inteligência musical elevadíssima ou uma demência lírica jamais vista na música cristã! Ousamos em afirmar isso por causa da volatilidade do mercado, de modo que ou se faz sucesso por que o produto é bom demais, porém descartável, ou por que é ruim demais e igualmente descartável.
Para quem, como o Oficina G3, coleciona discos de ouro e já fez turnês gigantescas pela América, Europa, Ásia e África, o anúncio do fim pode significar apenas um momento de descanso, reflexão ou para “avaliar diretrizes”, conforme falou Juninho Afram. Mais que isso, para quem teve suas vidas marcadas, transformadas e salvas pelo Senhor e cujas canções foram trilha sonora desses momentos, o fim da banda ou mesmo uma pausa é inaceitável, pois, mesmo considerando a possibilidade da volta, como estará o mercado daqui a 5 ou 10 anos ou que tipo de som eles vão apresentar? O tempo dirá. Ou pode ser que “O Tempo” já disse tudo!
Falando novamente com a retórica existencial de Salomão, às vezes é difícil admitir que “tudo tem seu tempo” e que “há tempo para todo o propósito debaixo do sol” (Ec 3.1), porém a realidade é essa. Provera Deus que tudo seja apenas um ano sabático, que o Oficina volte tão logo, que o seu público não fique órfão, que o vento toque em nosso rosto, mas que somente o tempo, e não o Oficina, vá com ele!

Áleckson Marcos e Ledinilson Sousa para o Reviva Gospel.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

10 PERGUNTAS COM RENATO SUHETT (Parte II)

Voltamos com a segunda parte de nossa entrevista com o Renato Suhett que agora vai falar sobre seus projetos artísticos, políticos, adesão a Igreja Adventista  do Sétimo Dia muito mais!

Reviva Gospel – Então você fez as maiores contratações na década de 90, né? Mas você, embora não priorizasse o artista conseguiu vender milhões de discos na Line, sendo o recordista naquela época. Depois de você quem mais teve boa vendagem dentro da Line?
Renato Suhett – Olha, depois de mim quem mais teve boa vendagem dentro da Line foi, obviamente, Nelson Ned, o Edinho (Ed Wilson) vendia bem, Tonny Sabetta vendeu bem, Melissa vendeu muito bem também, por que era membro da Igreja Universal (de todos esses aí, ela era membro da Igreja Universal). Então, seriam esses que venderam bem na Line. O Beno não teve uma boa vendagem. Eu mandei tirar 200.000 CDs/LPs, mas ele não teve muita popularidade no primeiro disco dele. Eu é que gostei. Achei o disco dele um dos melhores discos. Depois. Lá na frente, veio o Gérson Cardoso vendendo muito também, mas bem lá na frente. Isso foi bem lá na frente. Ozeias de Paula também vendeu muito bem. Também eu trouxe o Ozeias pra gravar...vendeu muito e o Nelson Ned.

Reviva Gospel – Após a sua saída da Universal você peregrinou por várias denominações e hoje é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O que tem ela de especial para você?


Renato Suhett – Olha, o que a Igreja Adventista tem de especial pra mim, é que ela é uma igreja que tem um fundamento: o “assim diz o Senhor”. Ela é fundamentada na Bíblia. Só isso! Também é uma igreja ética. É uma igreja que não é centrada na Teologia da Prosperidade (que eu não gosto) e por ela ter o “assim diz o Senhor”. Muitas pessoas dizem que a Igreja Adventista é centrada nos escritos de Ellen White, mas não é verdade. Alguns membros, infelizmente, colocam mais ênfase nos escritos de Ellen White do que na Bíblia, mas isso é um grave erro. A própria igreja procura esclarecer que não deve ser a própria Ellen White e assim dizia que não deverão ser, mas, enfim, isso é um problema interno. Mas o que me faz gostar da Igreja Adventista é só isso: ela é muito bíblica, muito fiel às Escrituras, uma igreja ética, uma igreja honesta, uma igreja que não está com a Teologia da Prosperidade. Basicamente isso, por que eu não sou apaixonado por nenhuma instituição religiosa, nenhuma! Eu sou membro da Igreja Adventista, meu ministério é interdenominacional, prego em todas as igrejas. Sei que no céu vou estar com pessoas de todas as igrejas, que são os sinceros de Deus, mas gosto de ser membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas, assim, simplesmente por ela ser uma igreja bíblica, como também a Batista é, Metodista é e outras também. Não faço grande diferença não, mas me sinto bem na Igreja Adventista, por ser um igreja fundamentada na Bíblia, isto, é o verdadeiro Adventismo. Eu sou um cristão adventista. Eu não sou um adventista de berço não. Eu sou um cristão da Igreja Adventista. Não sei se ficou claro aí.

Reviva Gospel – Hoje você tem um projeto de se candidatar a deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Como você pode contribuir para esse estado?

Renato Suhett – Ah, eu sou candidato a deputado estadual, sou pré-candidato – eu não posso falar agora que sou candidato, mas já sou, tenho até número, tudo. Não é um projeto não. Já é uma candidatura real. A nossa principal contribuição para o estado, além de várias coisas na área econômica, na área de saúde e outras, principalmente não educação, no sentido de não deixar que a Ideologia de Gênero penetre nas escolas, barrar, como deputado, todas a tentativa de esquerda, dos partidos de esquerda colocarem Ideologia de Gênero dentro das escolas – eles querem colocar inclusive um projeto de três banheiros: para ter um banheiro para menino, menina, outro para menina que decidiu ser menino, outro para menino que decidiu ser menina. Isso é um absurdo! A minha principal contribuição será essa: impedir a infiltração da Ideologia de Gênero dentro das escolas. Essa é a principal, mas tem muitas outras, como, por exemplo, incentivo aos microempresários, incentivo à indústria pesqueira, aos portos, incentivo do primeiro emprego e aos idosos também que estão abandonados. Tenho vários projetos, mas a nossa frente de trabalho é lutar contra a Ideologia de Gênero dentro da educação nas nossas escolas, Rio de Janeiro, especialmente.

Reviva Gospel – Renato, você anunciou recentemente que vai voltar às suas atividades artísticas em 2018. Como podemos agendar você para pregar ou cantar em um evento?

Renato Suhett – É depois das eleições, né? Quer dizer, eu posso fazer evento musical. Eu posso agendar para cantar. É só a pessoa entrar em contato comigo. Tô com a minha assessoria de imprensa através da Débora, mas nem precisa. Pode até falar diretamente comigo: (021) 96568-5083. É o meu telefone, meu zap; entra em contato comigo e a gente acerta. Possivelmente, eu posso direcionar para a minha assessora de imprensa que chama-se Débora que poderia ver isso, mas pode tentar direto comigo mesmo. 2018 acho difícil, por que eu já estou com a agenda quase toda cheia, a não ser dia de semana que eu tenho vagos, mas é só agendar e, principalmente depois da eleição eu vou ter mais tempo pra fazer isso.

Reviva Gospel - Renato, estamos felizes por ter aceitado o nosso convite. Agora fique à vontade para fazer as suas considerações finais.

Renato Suhett – Olha, eu gostaria de nas minhas considerações finais, dizer a todos o seguinte: nós estamos no Brasil diante de um grande desafio. Existe uma força satânica impulsionando a política, impulsionando partidos, ideias, pessoas para perverter a instituição família que foi criada por Deus. Ao invés da “ideologia de Gêneses” eles estão querendo impor a Ideologia de Gênero, que é uma mentira, uma farsa satânica, em nome de uma liberdade que não é liberdade, mas sim licenciosidade. Isso avilta a Palavra de Deus e ao próprio Deus. E nós temos uma posição contrária a isso. E isso é uma coisa que eu gostaria de deixar claro nas minhas considerações finais. A outra é que todos que vão ler este depoimento, essa nossa entrevista, seja você quem você for, onde você estiver, talvez distante dos caminhos do Senhor, longe do Senhor, longe do Pai, eu quero que você saiba que Deus está com os braços absolutamente abertos para recebê-lo de volta. Ainda que uma instituição chamada igreja talvez não aceite ou tenha expulsado a você ou tenha excluído você do rol de membros, você não foi excluído do coração de Deus. Deus está com os braços abertos para receber você de volta. Ou se você nunca se entregou a Jesus que você faça uma entrega verdadeira e real, pois ele é o pai do filho pródigo, aquele pai que espera sempre de braços abertos o filho que para ele volta.

“Vinde a mim todos os cansados e oprimidos, sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim por que sou manso e humilde de coração”. Essa é a Palavra Eterna do nosso Senhor Jesus, Deus de amor e de toda a graça que quer salvar a todos que se voltam para ele. Minhas palavras finais. Muito obrigado mesmo ao Aleckson e ao Reviva Gospel. Muito obrigado pela oportunidade da entrevista. Que Deus nos abençoe!

Esta foi mais uma entrevista da Série 10 perguntas que volta na primeira semana de janeiro de 2018 e o próximo entrevistado é...Milton Jorge do Sinal de Alerta! Até lá!

Em Cristo, Aleckson Marcos para o Reviva Gospel